Brincadeiras de menino e brincadeiras de menina: Por que isso deve acabar

Publicado: 30/07/2018

Por Ana Paula Bretschneider.

Você descobre o sexo do bebê e logo começa a agir, quase de forma inconsciente. Se é menino, basta algumas semanas para o enxoval na cor azul estar pronto e quando o assunto é brinquedos, não dá outra: carrinhos, super-heróis e tudo aquilo que, até pouco tempo, acreditava-se fazer parte exclusiva do universo masculino.

Para as meninas, o desejo das mamães costuma ser vestir de rosa, pôr lacinho no cabelo e preparar a coleção de bonecas, para que a criança entre com tudo no chamado “universo feminino”, pelo menos da forma em que os adultos acreditam ser.

Essas limitações, que só existem na cabeça dos adultos, estão longe de trazer algum benefício para as crianças e, em muitos casos, podem se transformar em uma repressão desnecessária, que impede o pequeno de ser quem ele realmente é e de se desenvolver plenamente.

O mundo está mudando aos poucos com relação aos conceitos de objetos e brincadeiras de menino e de menina. Não são poucos os especialistas que aconselham pais e mães e acabar com as regras tão obsoletas e misturar os brinquedos, permitindo que os pequenos escolham livremente aquilo que sentem mais atração para brincar.

Quando as crianças são divididas em mundos cor-de-rosa e cor azul, elas absorvem preconceitos relacionados a forma como homens e mulheres devem se comportar na sociedade. O resultado disso pode ser uma angústia profunda, por não entender por que não pode se misturar ao mundo do sexo oposto, ou então se tornar alvo de chacota, bullying e exclusão social por tentar se aproximar daquilo que possuí mais interesse.

As famílias precisam entender que os gostos que uma criança desenvolve na infância pouco tem a ver com a orientação sexual que o indivíduo revelará no futuro. Um menino que brinque de boneca ou se vista de princesa não irá se tornar gay por ter sofrido “influências” femininas na infância. E, se isto por acaso acontecer, é por que estava, desde o início, na natureza do ser humano e isto é algo que jamais poderia ter sido mudado ou influenciado.

A divisão também ajuda a fixar pensamentos machistas, que reforçam um papel de aventureiro e super-herói na cabeça dos meninos e de dona de casa na cabeça das meninas, que convivem com panelas de plástico e bonecas durante um longo período na infância. Uma educação com menos preconceito e divisões é fundamental para que as próximas gerações sejam mais igualitárias e aprendam o respeito mútuo com mais facilidade do que os adultos de hoje.

Mas como fazer isto? Pais e mães devem refletir sobre os preconceitos internos e dar mais liberdade de escolha aos seus filhos, sem julgá-los por aquilo que eles gostam.

Veja algumas dicas e descubra por que é tão importante que as crianças tenham a oportunidade de ser quem são, sem reprimir os sentimentos durante a infância. Cabe aos pais construir um ambiente saudável para os seus filhos e as vantagens disto são numerosas.


Inversão de papeis

Os meninos têm muito a aprender com os “brinquedos de meninas”, assim como as garotas podem se beneficiar daquilo destinado ao universo masculino. Meninos que brincam com bonecas aprendem sobre sensibilidade e a desempenhar tarefas que serão fundamentais no futuro, como cuidar dos próprios filhos. As bonecas ensinam para os meninos que a responsabilidade sobre um bebê não é apenas da mãe e que os pais têm um papel tão importante quanto na criação de seus filhos.

Quando as meninas são incentivadas a entrar no mundo de super-heróis e aventuras,elas aprendem a desenvolver a autoestima e descobrem que são tão capazes quanto os meninos. Elas também podem ser o que desejarem e não precisam se limitar a uma vida de dedicação exclusiva aos filhos e aos afazeres domésticos.

Liberdade

Não é necessário impor nada às crianças, apenas apresentar as mais variadas opções de brinquedos, filmes, personagens e deixar que escolham aquilo que gostam. O ideal é que a criança aprenda a se divertir com brinquedos variados, considerados como de meninos ou de meninas, sem desenvolver nenhum preconceito com relação a isto.

Este tipo de atitude garante a liberdade de expressão e evita que as crianças façam a divisão de mundos e de papeis de acordo com o sexo, sentindo-se livres para serem o que desejarem. Crianças livres, que não precisam se esforçar para se enquadrar no que os adultos esperam delas, se tornam mais felizes e com mais capacidade de desenvolver o próprio potencial.


Respeito

Quando os pais deixam de dividir o que é de menino e o que é de menina, as crianças aprendem a respeitar o outro do jeito que ele é, sem imitar os adultos e esperar que se comportem de determinada forma. Aceitar os colegas e os amigos do jeito que são é o melhor caminho para combater o preconceito que costuma vitimar aqueles que não se encaixam nos padrões estabelecidos.

Em uma sociedade, é preciso aprender a respeitar qualquer indivíduo independente de orientação sexual, cor, religião, gostos pessoais ou qualquer outra coisa. Esses valores sobre respeito são aprendidos na infância e cabe aos pais acabar com gerações de preconceito e mostrar aos seus filhos que o mundo pode ser mais igualitário, desde que as pessoas saibam aceitar as diferenças umas das outras.

Desenvolvimento

Crianças livres para escolher do que querem brincar também são livres para desenvolver plenamente suas capacidades e aptidões. Se o seu filho demonstra um interesse maior por bonecas, isto pode ser um indício de uma aptidão para cuidar do próximo, o que pode se materializar em um interesse futuro por profissões relacionadas a área da saúde.

É na infância que os indivíduos começam a mostrar determinadas inclinações profissionais, seja para o mundo dos números ou das letras. Quando os pequenos têm liberdade para escolher aquilo que gostam, eles podem desenvolver com mais facilidade o gosto por aquilo que possuem maior interesse natural. É uma forma de se autoconhecer e iniciar um processo de criação de sonhos que poderá transformar a criança em um adulto satisfeito e bem-sucedido.

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